O silêncio que fala, que berra, que joga respostas bem na nossa frente é, sem dúvidas, pior que a voz que não diz nada. E ele é rápido, é simples, machuca. Um recado de orkut não respondido, uma ligação não atendida, um retorno que não vem, um encontro onde não se fala o que precisa ser dito.
É infinitas vezes melhor a voz que diz alguma coisa. Mesmo que diga coisas densas, coisas que não são esperadas. Afinal, as palavras permitem uma tentativa de entendimento, de argumentação e debate. A conversa possibilita uma defesa, joga limpo. Já o silêncio arquiteta idéias que não são partilhadas, planeja fins que não são confrontados. Quando nenhuma coisa é dita, nada é combinado.
São silêncios que expressam recusa, desinteresse, verdades, lembranças e arrependimentos. Silêncio que grita no peito, que invade um olhar. Que anuncia o fim que está próximo, o fim que já chegou. Quantas coisas são ditas pelo silêncio. É tão alta a voz do silêncio que perturba, atormenta. O silêncio de um que prediz a derrota do outro.
E, convenhamos, como dói entender a mensagem que o silêncio berrou e escancarou a nossa frente.
sábado, 23 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
indo e vindo infinito.
Decidi recriar a minha vida.
Vou mudar meus dramas, minha rotina, meus erros, os enfeites de lugar. Vou trocar a cor do meu quarto, minhas superstições, minha maneira de ver a vida. Vou mudar minha forma de escrever. Quero desescrever meus rabiscos e as tardes sem cor que eu passei aqui. Vou desentender tudo que já julguei entender e repensar. Vou trocar todos os segredos das fechaduras da minha alma e do meu coração. Vou mudar a cor do meu cabelo, as razões que me fazem chorar, os medos que me impedem de tentar. Estou desfazendo os bordados da minha vida, dando adeus a tudo e enterrando de vez o meu passado.
Estou dando todos os meus papéis antigos, recordações que me trazem coisas tristes e meus velhos moldes. Criando novas receitas e desmanchando o tempo que passou. Recontando os anos, os tombos, as faltas e deixando-os de lado. Estou me desfazendo da minha solidão, das minhas roupas usadas e do que eu já senti um dia.
Continuo de olhos abertos, de portas trancadas e de pés descalços. Assim vou vivendo sem todo o resto.
Vou atrás de mim.
E só volto quando me (re)encontrar!
Vou mudar meus dramas, minha rotina, meus erros, os enfeites de lugar. Vou trocar a cor do meu quarto, minhas superstições, minha maneira de ver a vida. Vou mudar minha forma de escrever. Quero desescrever meus rabiscos e as tardes sem cor que eu passei aqui. Vou desentender tudo que já julguei entender e repensar. Vou trocar todos os segredos das fechaduras da minha alma e do meu coração. Vou mudar a cor do meu cabelo, as razões que me fazem chorar, os medos que me impedem de tentar. Estou desfazendo os bordados da minha vida, dando adeus a tudo e enterrando de vez o meu passado.
Estou dando todos os meus papéis antigos, recordações que me trazem coisas tristes e meus velhos moldes. Criando novas receitas e desmanchando o tempo que passou. Recontando os anos, os tombos, as faltas e deixando-os de lado. Estou me desfazendo da minha solidão, das minhas roupas usadas e do que eu já senti um dia.
Continuo de olhos abertos, de portas trancadas e de pés descalços. Assim vou vivendo sem todo o resto.
Vou atrás de mim.
E só volto quando me (re)encontrar!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Toda vez que abro aqui para escrever, eu penso em um milhão de coisas que eu poderia falar, mas, sei lá, hoje, especificamente hoje, estou com vontade de falar sobre você, "véi". De contar que, por mais que você fale que não, eu continuo acreditando que o John Mayer é o cara e que fará sucesso por longos e prazerosos anos. Vontade de falar que eu sou teimosa mesmo, que claro que eu sei que estou 93,2% do tempo errada quando estamos discutindo, mas que discutir com você é uma das poucas coisas que me fazem sorrir de verdade. De gritar aqui para você e para quem quiser ouvir que eu não sou dona da verdade, que esse meu ar petulante é, na verdade, para esconder que eu não tenho certeza de metade das coisas que eu falo. Mas, eu sei, eu passo um ar de cult decadente como ninguém. De falar para você, mesmo que você já tenha percebido, que como qualquer ser humano, eu sou cheia de falhas, de imperfeições e eu erro demais. Meu Deus! Como eu erro. Mas que esses meus erros não são nada comparados a minha vontade de acertar. Hoje estou com vontade de contar que eu, por mais que não pareça, choro muito sempre que escuto "the blower's daughter", do Damien Rice ou aquela "where true love goes", do Yusuf Islam. Aliás, eu choro com mais outras milhares de músicas, mas eu citei essas aí porque foram as que tocaram enquanto eu pensava em escrever aqui. E sabe do que mais? Eu quero colocar aqui que eu adoro quando você me chama de "meu bem", mesmo sendo a coisa mais falsa dos últimos tempos. E eu adoro mais ainda falar que você é um dos melhores amigos que eu tenho, porque se você odeia esse vocativo de "amigo", quem dirá de "um dos melhores amigos". E eu fico muito, mas muito bem sempre que penso que eu ganho de você em tudo, seja na adedonha online, no campo-minado do msn, no truco ou nas nossas discussões. E que ver você é ótimo e me faz acreditar que pessoas paradoxais são bem mais interessantes que as comuns. Sabe, me deu uma vontade louca de contar um milhão de planos, histórias, lições que eu tenho desde que conheci você, mas, sei lá, me bateu uma preguiça tão grande e um pensamento de que é expor demais a minha vida aqui, que eu não vou contar. Você sabe bem como eu sou, não é? Na mesma hora que eu tenho um milhão de coisas para falar, eu não falo nada. Mas eu sei que você entende, do seu jeito, mas entende, que por mais que eu não fale, nem faça, nós, de algum modo, estamos conectados. E isso ficou muito confuso, mas, fala sério, se não ficasse confuso e cheio de lacunas, não seria um texto sobre nós. Putz! Esse "sobre nós" ficou muito casal. E, convenhamos, nós já fomos de quase tudo, menos um casal. Então, não seria sobre você. Ah! E eu também continuo achando que Los Hermanos voltando é muito massa e que isso não atrapalhará o que já foi produzido por eles. É, tenho dito!
=)
=)
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Das minhas (in)certezas.
Logo ela, tão certinha, tão centrada, tão antenada. Menina crítica, a frente de seu tempo, cheia de livros. A que sabia de todas as notícias, as músicas alternativas, os filmes que iriam estrear, as peças que estariam em cartaz em Brasília. Logo ela, que era tão diferente de tudo e todos, que fugia tanto dos clichês, que nunca aceitava comparações. Ela que estudava História da Arte, História do Brasil, História Contemporânea, História-de-tudo-e-todos.
Um dia, por acaso, percebeu que não tinha mais certeza de nada. Que não sabia mais se era a dona da verdade e do gosto refinado. Estava na sala estudando para a prova de Políticas Educacionais. O celular avisou que havia chegado mensagem. Ela saiu correndo, tropeçando nos fios, perdendo a concentração, olhou logo a mensagem, que esperava ser do tal menino-enjoado-que-ela-tanto-sentia-saudade, a mensagem em que ele diria que ela era a menina-enjoada-que-fazia falta, mas não era. Era do 144 e dizia sobre o plano infinity da TIM. Logo ela, que nunca esperou nada de ninguém, quem dirá uma mensagenzinha de fim de tarde, estava agora parada, sem reação e completamente decepcionada com tudo. Questionou-se sobre o que ela queria, de fato. Não tinha mais certeza se queria mesmo estudar sobre Políticas Educacionais. Se tinha vontade de chorar ou de fingir que não tinha importado. Não sabia mais se aquela barreira que era impenetrável havia sido derrubada e, agora, entrava em seu mundo qualquer um que passasse. A moça que não tinha dúvidas sobre nada, não conseguia nem mais decidir se queria tomar coca-cola ou suco de laranja no lanche.
Não tinha mais domínio de si e de suas vontades. Permanecia aquele desejo de ligar, de falar tudo o que pensava, de "correr pra o abraço", de fazer acontecer. Logo ela, que nunca tinha más intenções, que se privava, estava, agora, desconectada de seus princípios e totalmente inconsequente. Ela que se controlava tanto, queria se arrepiar, experimentar, viver mais. Tudo se resumia a sua vontade de se permitir.
E ela queria rápido. E muito!
Um dia, por acaso, percebeu que não tinha mais certeza de nada. Que não sabia mais se era a dona da verdade e do gosto refinado. Estava na sala estudando para a prova de Políticas Educacionais. O celular avisou que havia chegado mensagem. Ela saiu correndo, tropeçando nos fios, perdendo a concentração, olhou logo a mensagem, que esperava ser do tal menino-enjoado-que-ela-tanto-sentia-saudade, a mensagem em que ele diria que ela era a menina-enjoada-que-fazia falta, mas não era. Era do 144 e dizia sobre o plano infinity da TIM. Logo ela, que nunca esperou nada de ninguém, quem dirá uma mensagenzinha de fim de tarde, estava agora parada, sem reação e completamente decepcionada com tudo. Questionou-se sobre o que ela queria, de fato. Não tinha mais certeza se queria mesmo estudar sobre Políticas Educacionais. Se tinha vontade de chorar ou de fingir que não tinha importado. Não sabia mais se aquela barreira que era impenetrável havia sido derrubada e, agora, entrava em seu mundo qualquer um que passasse. A moça que não tinha dúvidas sobre nada, não conseguia nem mais decidir se queria tomar coca-cola ou suco de laranja no lanche.
Não tinha mais domínio de si e de suas vontades. Permanecia aquele desejo de ligar, de falar tudo o que pensava, de "correr pra o abraço", de fazer acontecer. Logo ela, que nunca tinha más intenções, que se privava, estava, agora, desconectada de seus princípios e totalmente inconsequente. Ela que se controlava tanto, queria se arrepiar, experimentar, viver mais. Tudo se resumia a sua vontade de se permitir.
E ela queria rápido. E muito!
sábado, 11 de abril de 2009
Poema.
"Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com seu carinho
E lembrei de um tempo...
Porque o passado me traz uma lembrança
De um tempo em que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via um infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim (que não tem fim)
De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás."
Cazuza
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Sensação.
Olhar no fundo dos teus olhos, vasculhar o íntimo da tua alma, contemplar teu sorriso que me aquieta(va) e não me encontrar mais em nenhum canto da tua vida dói. Lembrei-me, então, da vez em que prendi o meu dedo na porta do guarda-roupas. Senti uma dor pungente, cruciante; era uma dor clara, uma dor tão inteira que ocupava todos os meus pensamentos - como tu ocupas meu pensamento, agora. Levei o dedo até a minha boca e passei a língua sobre ele, umedecendo-o, mas o calor da minha boca não foi capaz de suavizar a dor que eu sentia - como as inúmeras tentativas inábeis de apagar tua lembrança em mim. Fiquei quietinha, deitada com o dedo abraçado a mim mesma. Vivenciar a dor, naquele momento, não foi tão ruim. Foi bom perceber que a dor começava intensa e ia diminuindo - como tu vais diminuir em mim. A dor aparece inesperadamente como um raio, e vai embora lentamente como uma tempestade. Aliás, ela se foi deixando uma marca azulada sob minha pele, que no outro dia era verde; no outro, amarela; e, no outro, nem existia mais. Ela se foi sem deixar marcas - e acredita, boy, tu vais também sem deixar marca alguma!
E a cada vez que eu me lembro que meus olhos se apertam enquanto o meu sorriso se abre, meu coração se acalma e não há dor no mundo que me arranque essa felicidade. É! Não há!
E a cada vez que eu me lembro que meus olhos se apertam enquanto o meu sorriso se abre, meu coração se acalma e não há dor no mundo que me arranque essa felicidade. É! Não há!
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Nota de sexta-feira à noite.
Eu quero chorar. É, eu quero! Quero chorar porque não entendo o que estão me falando e não faço questão de entender. Quero chorar porque estou ouvindo uns ruídos que deveriam ser minhas músicas prediletas, mas não consigo nem entende-las de tanta vontade de chorar. Quero chorar porque estou cansada de estudar psicologia da educação; se nem da minha educação eu sei, quem dirá da educação dos outros. Quero, mas quero muito chorar porque minha cabeça está doendo e aqui em casa não tem sedalgina, sedalex, sedalol e nem seda-qualquer-coisa. Aqui não tem sedativo para dor existencial.
Quero chorar porque estou cansada de tanta gente falando sobre crise estatal, crise existencial, crise educacional, crise moral, crise constitucional, crise do escambal. Tem sempre alguém falando e falando, e isso, hoje, está me dando vontade de chorar. Quero chorar porque não aguento mais a minha mãe falando pra eu colocar o fone de ouvido, já que ela não quer ouvir minhas "músicas chatas". Quero chorar porque eu queria correr para os braços de alguém especial, mas esse alguém foi embora e eu nem tenho mais certeza se era tão especial assim.
Isso mesmo, estou a fim de chorar. Até o faria se as minhas glândulas lacrimais fossem mais cheias.
03 de abril de 2009, 20:23, sexta-feira. É, eu também surto às vezes. Não, não é constante. Aliás, eu não sou constante. E vai passar! =)
Quero chorar porque estou cansada de tanta gente falando sobre crise estatal, crise existencial, crise educacional, crise moral, crise constitucional, crise do escambal. Tem sempre alguém falando e falando, e isso, hoje, está me dando vontade de chorar. Quero chorar porque não aguento mais a minha mãe falando pra eu colocar o fone de ouvido, já que ela não quer ouvir minhas "músicas chatas". Quero chorar porque eu queria correr para os braços de alguém especial, mas esse alguém foi embora e eu nem tenho mais certeza se era tão especial assim.
Isso mesmo, estou a fim de chorar. Até o faria se as minhas glândulas lacrimais fossem mais cheias.
03 de abril de 2009, 20:23, sexta-feira. É, eu também surto às vezes. Não, não é constante. Aliás, eu não sou constante. E vai passar! =)
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